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06/05/2019 12:13h

É preciso diálogo em escolas e universidades sobre a violência contra a mulher

É preciso diálogo em escolas e universidades sobre a violência contra a mulher

O vereador enfermeiro Fritz (PSD), destacou, na manhã desta quinta-feira (2), que é preciso ter conversas francas sobre a questão da violência contra a mulher para que a discussão seja feita de maneira ampla e efetiva. O comentário ocorreu durante a sessão ordinária realizada na Câmara dos Vereadores de Campo Grande, em aparte ao discurso da juíza da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Dra. Jacqueline Machado, quando fazia uso da Tribuna para falar sobre violência doméstica.

“Precisamos aflorar para que realmente consigamos identificar o problema. Precisamos manter o diálogo e a discussão em escolas e universidades, direito esse garantido pela nossa constituição”, disse Fritz. 

O parlamentar ressaltou ainda que é preciso ter uma infraestrutura adequada para que o debate seja inserido na sociedade de maneira que possa ampliar os resultados. Segundo ele, é preciso investir mais nas ações para que os resultados possam aparecer. “Historicamente tivemos grandes avanços dentro do judiciário e dentro da legislação, mas na prática essas efetividades não acontecem. Estamos hoje vivendo uma precarização de todas as políticas públicas voltadas para as mulheres”.

O assunto deve ser amplamente debatido, pois os casos de violência contra a mulher estão cada vez mais crescentes. Dados apresentados pela juíza mostram que somente no feriado do dia do trabalhador, celebrado na última quarta-feira (1), seis homens foram presos em flagrante e mais de 20 pedidos de medida protetiva foram aplicados. No Brasil, a cada 2 horas uma mulher é morta e a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Em 10 anos, em todo o Brasil, mais de 40 mil mulheres foram assassinadas, números maiores do que países em guerra. 

Para Jacqueline, a violência contra a mulher não é somente feita por meio de agressões físicas. Os abusos sexuais também apresentam uma alta estatística. Informações apresentadas mostram que 80% dos casos são praticados dentro de casa por homens próximos das famílias, que as vítimas conhecem. 

“Falar em gênero, em sexualidade ou feminismo na escola, não vai contra a família. Não ofende a família tradicional. O que ofende a família, e vocês devem estar atentos, são os abusos familiares e a exploração sexual infantil. Não tem uma palestra que eu saia de uma escola que não há denúncia de pelo menos uma criança que ela está sendo abusada sexualmente. Se não falarmos sobre isso nas escolas, não estaremos protegendo nossas crianças”, ressaltou Jacqueline.

Outro ponto destacado pela juíza foi a falta de serviços e políticas públicas para as mulheres, como a falta de creche e de kits de emergência pós-estupro. “Estamos discutindo na Câmara Federal se vamos discriminalizar o aborto, se vamos piorar ainda mais a situação da mulher. Nós não estamos pensando na prevenção. Não há um planejamento familiar”, explicou.

Entre os serviços públicos existentes, segundo a juíza, existe a Casa da Mulher Brasileira, que é referência para o país, aqui em Campo Grande, e a Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça, que atende os casos no interior do Mato Grosso do Sul. “Não é um trabalho do judiciário, é um trabalho do executivo, mas estamos fazendo por causa dessa falta de formação de rede”, disse, acrescentando que “há uma falta de serviços públicos de saúde e segurança que atinjam, principalmente, mulheres pobres, negras, indígenas e deficientes. Elas tem uma dificuldade maior de proteção”.

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